Por que especialistas e líderes veem o futuro da IA de formas tão diferentes?

Segundo o relatório de IA 2026 da Universidade de Stanford, especialistas projetam que a IA vai assistir 80% do trabalho até 2030. O público estima 10%. Essa diferença de percepção importa mais do que parece, especialmente para quem lidera. Compartilho o que tenho ouvido nas minhas conversas com CEOs, Founders e Executivos e as perguntas que me parecem essenciais fazer agora.

Hynde Fonseca Neto

5/20/20263 min read

Nos últimos meses, venho tendo uma conversa recorrente sobre tecnologia e pessoas.

CEOs me contam que o time já usa IA no dia a dia. Founders me dizem que estão "avaliando implementar IA" no negócio. Executivos me perguntam se deveriam aprender a “programar” via Claude ou se basta entender os conceitos.

E por baixo de todas essas conversas, há sempre uma pergunta que ninguém faz diretamente mas que está presente em tudo: "Eu estou ficando para trás?"

O relatório de Inteligência Artificial de 2026 da Universidade de Stanford, um dos estudos mais completos sobre o tema no mundo, traz um dado que resume bem esse momento: a IA generativa atingiu 53% de adoção global em apenas três anos. Mais rápido do que o PC e mais rápido do que a internet.

Mas há outro número, menos comentado, que me parece mais revelador. Quando perguntaram a especialistas em IA qual seria o impacto da tecnologia no trabalho até 2030, a resposta foi que cerca de 80% das horas de trabalho serão de alguma forma assistidas por IA. Quando fizeram a mesma pergunta ao público geral, a resposta foi: 10%, ou seja, setenta pontos percentuais de diferença.

Não é que um grupo esteja certo e o outro errado. É que estamos, cada um a seu modo, tentando encontrar o nosso lugar numa transformação que ninguém pediu licença para acontecer.

O que venho observando nas minhas conversas com líderes não é resistência à IA. É algo diferente e mais honesto. É a sensação de que a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade de pensar estrategicamente sobre ela.

Ainda segundo o mesmo relatório, 88% das organizações já usam IA de alguma forma. Mas usar é diferente de entender. E entender é diferente de integrar com intenção.

A maioria das empresas está na fase do uso tático, ou seja, alguém usa para escrever e-mail mais rápido, outro para resumir uma reunião e outro para gerar uma apresentação. Isso tem valor, mas não é estratégia.

A pergunta que poucos líderes ainda se fizeram com profundidade é: "Como a IA muda o que o meu negócio pode se tornar e o que eu preciso ser como líder nesse contexto?"

O relatório de Stanford descreve algo que os pesquisadores chamam de "fronteira irregular" — a IA resolve questões complexas de matemática olímpica e avança em pesquisa científica, mas ainda falha em tarefas surpreendentemente simples, como ler um relógio analógico.

Esse conceito me parece muito útil para as conversas que tenho com quem lidera, porque o risco não é subestimar a IA. É não calibrá-la bem, terceirizar para ela decisões que exigem contexto, julgamento e a leitura de nuances que nenhum modelo ainda consegue capturar com fidelidade.

Ao mesmo tempo, o outro extremo também existe: líderes que ignoram o que a IA já pode fazer hoje, perdendo tempo em tarefas que poderiam ser aceleradas ou automatizadas. A pergunta aqui não é "IA vai me substituir?". A pergunta é "Onde a IA me libera para pensar melhor e onde o meu julgamento ainda é insubstituível?"

Não tenho uma resposta pronta para isso (e desconfio de quem tem). O que tenho são perguntas. As mesmas que levo para as minhas conversas com CEOs, founders e executivos quando o tema aparece… e ele aparece cada vez mais!

. Onde no seu negócio a IA já está gerando valor que você ainda não nomeou?

. Quais decisões você ainda toma de forma intuitiva que poderiam ser informadas por dados que você tem mas não usa?

E a mais importante:

. Se 80% das horas de trabalho do seu time fossem assistidas por IA em quatro anos, o que mudaria na forma como você lidera?

Não precisa ter as respostas agora. Mas vale começar a fazer as perguntas!